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Gancheira Removível

Bikes & (a) partes
July 21

Alucinante!

Essa palavra é meio clichê, mas essa foi a única que entrei para descrever a trilha que fiz neste final de semana. Havia muito estava esperando uma oportunidade para ir lá e agora finalmente deu certo. Lá é a Ilha Bela, litoral norte de SP e a trilha é a famosa Estrada pra Castelhanos. Fomos eu e os Papatrilhas.

 

Pra quem não conhece, a Ilha Bela é a maior ilha da costa brasileira. É um pedaço de terra gigante, bem em frente à cidade de São Sebastião. Pra chegar lá, só de balsa. Tirando a parte da cidade, a ilha é um parque estadual que preserva a Mata Atlântica e dezenas de praias lindíssimas. A estrada liga a cidade de Ilha Bela, que fica em frente ao continente, à baía de Castelhanos, do outro lado da ilha, voltada para o mar aberto.

 

Na verdade ela apenas um caminho na mata para ligar os dois pontos. É terra o tempo todo, e somente a pé, em veículos 4x4, motos, cavalos ou bikes é possível transitar por ela. São 12 km subindo da cidade até o topo, e depois 8 km descendo até a praia. Pra voltar, o inverso. No total são apenas 40 km (ida e volta), mas as condições do percurso é que tornam esta trilha especial e a colocaram, de cara, na minha lista das Top 3 melhores que já fiz até agora.

 

A subida inicial, apesar de serem 12 km tem apenas alguns trechos mais pesados e dá pra subir na boa. Tanto que apenas uma vez precisei travar a suspa e usar a buzolina. Com sombra do início ao fim, tem um piso bastante pedregoso, mas que não exige muita técnica. Muito gostoso pra ir assando as batatas das pernas aos poucos.

 

No topo, começa a diversão. Selim abaixado, marchas mais pesadas, tome adrenalina! Muita adrenalina mesmo! São pirambas com inclinações bem fortes, muitas pedras, raízes, valetas, crateras, bastante lama (apesar do tempo seco), sombra e toda a diversão que um terreno desse proporciona. Realmente uma senhora descida, cheia de desafios técnicos. Eu simplesmente pirei o cabeção e desci feito um maluco (dentro dos meus limites e da minha habilidade técnica, claro).

 

Num determinado trecho, tinham uns jipes que haviam nos passado na subida. Eles estavam parados escolhendo a cratera menor pra passar. Só deu tempo de assoviar, jogar a magrela pro lado  e passar como uma bala. Cheguei lá embaixo mais de 40 minutos antes deles, com uma sensação de euforia como havia muito não sentia. E tem gente que ainda usa drogas! 

 

Obviamente, nem todo mundo do grupo desceu dessa maneira. Cada um desceu no seu ritmo, mas tenho certeza que todos se sentiram assim. Essa é a parte mais legal desse esporte: vencer seus medos e superar os desafios que a trilha lhe impõe.

 

E põe desafio nisso. Pra voltar, seriam 8 km morro acima e desta vez sim, com bastante esforço e técnica. Na verdade, bem mais força. O engraçado é que subindo, num ritmo bem mais lento, eu ficava imaginando: “Putz, como foi que passei aqui sem descer da bike? Não me lembro de ter passado nessa cratera?”, e coisas assim. É muito doido o que a adrenalina faz com a gente.

 

No topo novamente, agora vinham mais 12 km de descida. Cheguei até a imaginar que não seria uma descida tão legal assim como foi na ida mas, felizmente, me enganei. Selim abaixado, marchas mais pesadas, tome mais adrenalina! Por ser menos inclinada, com um piso mais “firme” e, principalmente, pelo fato de eu já conhecer o terreno, a velocidade foi bem maior. Derrapa daqui, salta de lá, ultrapassa os jipes (de novo) no gás. Foi animal também!

 

O único senão é que novamente tivemos um BO. Na ida, já no final da descida, nosso camarada e meu xará, Paulo Cunha, tomou um chão e, infelizmente, quebrou o braço e esta com uma suspeita de fratura em uma das costelas. Se for só o braço, pelo menos uns 40 dias sem pedal pra ele. Uma pena! Força aí Paulão, já estamos esperando seu retorno! Tivemos outras quedas também, mas apenas as de “rotina”, sem maiores conseqüências.

 

E é claro, não posso deixar de mencionar o prazer de viajar de novo com os Papatrilhas. Muita risada, camaradagem, alto astral, pizza, queijos e vinhos nas barracas, prainha no domingo, enfim, um final de semana pra lá de divertido. Ideal pra recarregar as baterias pra mais uma semana de peleja. Valeu pessoal!

 

Vamos ver o que rola na próxima.

 

PH

July 14

Bate coração

Ele está de volta! Depois de mais de seis meses parado, nosso grande amigo Jorjão voltou a girar as pernas com a gente. Ele havia dado um tempo para fazer diversos exames no coração. Mas agora, depois  de constatar que tudo não passava de viadagem, ele voltou a sentir o drama de pegar umas pirambas com a gente.

 

Claro que o melhor lugar pra isso era Piracaia e lá fomos nós: eu, ele e o Oswaldo. Fizemos a boa e velha Motinha, trilha pra lá de conhecida e comentada aqui no Gancheira, mas como ele está voltando não dava pra pegar muito pesado. Além de avaliar como estava sua “bomba d’água” , Jorjão aproveitou também para estrear na terra sua nova aquisição: uma Canondale Raven, de fibra de carbono.

 

A Raven surgiu numa negociação que ele conseguiu fazer com a Jekyll que tinha e que estava parada na casa do pai. Foi um bom negócio, considerando que ela é tamanho G (ideal para sua altura) e a Jekyll é M. Além disso, sendo de plástico, não corre o risco de enferrujar por falta de uso, como estava correndo a outra bike e, mais importante, não vai causar interferência no seu marca-passo.

 

Brincadeira! Jorjão está zero bala e agora é só retomar o ritmo e recuperar a forma física. Bem-vindo de volta camarada. Você estava fazendo falta.

 

Quem venham as próximas.

 

PH

 

Foto sem título 

July 10

Mais abobrinhas cinematográficas

Continuando a série “nem só de bike vive este blog” lá vão mais algumas considerações muito particulares sobre os filmes que tenho assistido. Como estamos em plenas férias, os filmes refletem o momento e as grandes produções nada mais são que passatempos divertidos para as tardes/noites do inverno paulistano.

 

Hancock

Alguém aí já teve o sadismo de imaginar como seria a convivência dos terráqueos com o Super-homem se ele fosse um bebum inverterado e boca suja mal ajambrado? Eu já, e os roteiristas do novo filme do Will Smith também. Resumidamente é isso que acontece no filme. Will é John Hancock, praticamente um Charles Bukowski com super poderes que, apesar de salvar um ou outro aqui e ali, vive às turras com a população politicamente correta da cidade.

 

A premissa do filme é muitíssima interessante e foi isso que me atraiu. Até então, o máximo de incorreção política de um super no cinema foi o Wolwerine mal humorado dos X-Men. Mas Hancok lava a alma daqueles de nós que acham nem tudo é tão bonito e certinho como nos querem fazer acreditar. A cena do salvamento da baleia é impagável.

 

É claro que em se tratando de “roliúde” a incorreção na dura muito e rapidinho arranjaram um especialista em imagem (tá bom tá bom, um RP) pra dar um jeito no cara. Obviamente, o filme termina como todo e bom filme de herói americano, mas mesmo assim, no geral gostei. A versatilidade do Will Smith também me agradou. Achei-o bem convincente como bebum. Fraca mesmo foi a explicação da origem de seus super-poderes. Mas tá valendo, se eu quisesse pensar muito teria ido assistir filme francês cabeça.

 

Wall E

Para mim foi o melhor longa de animação da Pixar até agora. Tudo bem que algumas crianças (e tenho certeza que vários marmanjos também) não vão concordar comigo, mas até parece que eu ligo. Os caras conseguiram fazer uma crítica ao consumismo (apesar do marketng da Disney já ter botado bonequinho do filme pra vender em tudo quanto é birosca) de uma forma bem contundente, porém leve, doce, chapliniana até. O filme é uma daquelas histórias que até o mais empedernido dos durões torce para um final feliz. E ele vem, claro, mas sem aquela babaquice de musiquinhas melosas ou outros recursos piegas que abundam por aí no mundo da animação.

 

O filme em si também flui muito bem. Não é aquela montanha russa de Carros, mas mistura muito bem o humor, a ação e o romance. Na dose certa. O personagem principal possui um carisma a toda prova e posso dizer que havia muito tempo não via tanta expressividade em um olhar. E olha que estou falando de filmes com atores de verdade também. Se você se lembrar do Carlitos não terá sido mera coincidência.

 

Aliás, os animadores e o diretor foram extremamente felizes em fazer o filme praticamente mudo. Se fosse um personagem tagarela, tenho certeza que perderia totalmente o impacto que o bom e velho silêncio dá às sequências. Enfim, curti pra caramba e estou pensando seriamente em ver de novo. Como sempre digo: mas vale um bom filme repetido que um uma porcaria inédita.

 

Ah, ia me esquecendo! Chegue na hora e veja o curta antes da exibição do filme principal. Já é uma tradição da Pixar que a cada novo filme fica ainda melhor.

 

Kung Fu Panda

Essa é a outra animação que está rolando nos cinemas brazucas. Cercado de uma grande expectativa (os trailers do filme vêm sendo exibidos há muito tempo) todo mundo tava ansioso pra ver mais um desenho dos estúdios que nos deram Shrek.

 

Pois bem, vamos logo esclarecer: eu gostei. Mas (sempre tem um mas), exatamente por ser da Dreamworks, que chutou o balde com o ogro verde em termos de modernização da linguagem dos desenhos, achei KFP muito infantil. Isso mesmo: por mais paradoxal que possa ser, creio que esperava uma coisa com um viés mais adulto, com algumas piadas mais maliciosas, algum subtexto, sei lá. O fato é que, se o Panda tivesse cantado uma musiquinha, seria uma mera animação da Disney.

 

E isso é ruim? Não, se você é uma criança. Mas apesar de gostar muito de animação, meus anos de criança inocente já se foram a uma enormidade de tempo. Por isso, senti falta da acidez, que transbordava em Shrek. Menos os mal que ainda fui ver a versão legendada o que ameniza um pouco a parada. Imagina escutar o Panda falando carioquês? Aí sim, a vaca teria ido pro brejo.

 

E vamos combinar: os pandas, aos lados dos golfinhos e dos filhotes de gato, são os os bichinhos mais simpáticos do planeta. Se ele estivesse esfaqueando uma criança ainda sim haveria gente pra falar “Ah, que gracinha!”. Ou seja, esforço zero pra criar empatia, né não?

 

PH    

July 07

Halloween em julho

O final de semana ciclístico foi intenso. Bem intenso.

 

Sabadão, fui com a turma do Vila fazer o reconhecimento do percurso do Big Biker, que rola no domingo que vem. O Big, para quem não sabe, é uma das mais tradicionais provas do circuito brasileiro de MTB e acontece em várias etapas. A próxima é em Taubaté (SP) e foi pra lá que fui girar as pernocas.

 

Foi a primeira vez que fiz o trajeto oficial de uma prova e curti pra caramba. Claro que fui apenas pelo prazer de encarar o desafio, pois não participo de competições e minha intenção não era treinar. Por isso, fiz os 67 km no meu ritmo, curtindo as paisagens super bonitas do lugar. Pena que não tem foto, mas as serras e os vales pelos quais passamos realmente são lindos.

 

Apesar de ter gostado muito fiquei um pouco decepcionado com o percurso. Achei que teria alguns singles ou pelo menos alguns trechos mais técnicos. Não que eu seja dono de uma técnica apuradíssima, mas neste tipo de terreno o pedal fica muito mais divertido e estimulante. Infelizmente não rolou! Só estradão, com uns três ou quatro quilômetros de asfalto no início/final (começa e termina no mesmo lugar).

 

De subidas, apenas duas vão exigir um pouco mais dos participantes: uma mais ou menos no km 7 e outra no km 32. A primeira, mais inclinada, sobe uns 2 km. A segunda, mais branda, tem uns 3 km morro acima. Depois dessa, tem uma descida maravilhosa. Longa, suave, mas com uma aceleração muito gostosa e um visual magnífico. Pena que quem vai para competir não vai ver nada, pois estará totalmente concentrado na velocidade.

 

Aliás, a velocidade é o que dará o tom da prova. Como a técnica é zero, vai valer mesmo é a força física. Explosão do início ao fim. Quem tiver mais força ganha. Eu, em grupo, parando para reagrupar, comer e apreciar a paisagem, fiz tudo em mais ou menos cinco horas (um tempo até razoável levando-se em conta que foram 67 km). Os prôs, socando a bota, devem levar hora e meia ou talvez duas.

 

Por isso Dênis, se você vai participar pra vencer, prepare-se para muita “porrada” e boa sorte.

 

No domingo, levei os Papatrilhas pra conhecer a trilha lá em Juquitiba. Era pra termos ido há duas semanas, mas por causa do mal tempo foi adiada. O percurso foi bem menor (32 km) mas a adrenalina foi muito mais forte que lá em Taubaté.

 

Já descrevi essa trilha recentemente aqui (veja aí nos posts de abril). Resumindo, ela é basicamente estradinha, com piso muito ruim (alguns trechos com muita pedra solta) entrecortada por uma pirambeira muito rápida e técnica. Bem divertida, mas que requer bastante atenção.

 

Infelizmente, tivemos dois BOs dessa vez. E ambos sérios. No primeiro, o Zé, que já tinha feito Extrema com a gente, descendo a piramba, perdeu o controle da bike numa curva, passou reto por sobre um monte de pedras soltas e tomou um capote no meio do mato. Ralou o joelho e começou a sentir o braço entre o pulso e o cotovelo. Como estávamos ainda na metade do percurso ele ainda foi bem guerreiro e continuou, mas depois, já em SP, constatou que realmente fraturou o braço. Já está engessado e vai ficar de molho por uns 15 dias.

 

O segundo foi mais grave. Numa outra descida mais rápida do percurso, faltando uns 5 ou 6 km pra acabar a trilha, duas meninas (que estavam pedalando com a gente pela primeira vez) se enroscaram e foram pro chão. Um tombaço muito feio. Uma das garotas só se arranhou, mas a outra levou a pior e quebrou a clavícula. Na verdade, pelos gritos de dor e pelo desespero que se abateu sobre ela, achamos que tinha sido até mais sério. Ela realmente ficou bastante detonada.

 

Como só eu conhecia o percurso até o final, tive que voar baixo pra buscar meu carro para levá-la, com o marido, (ainda bem que ele estava junto) para o carro deles. Foi realmente bem angustiante, pois como a estrada é muito ruim, cada solavanco era um gemido de dor. Felizmente, foi só a clavícula, que incomoda mas é relativamente simples. Pelo tombo e pela forma que ela tava descrevendo o que sentia, achamos que ela tinha quebrado o cotovelo também, que é bem mais complicado.

 

Na volta, na Regis, um caminhão ainda quase jogou o carro do German pra fora da estrada, quando resolveu ultrapassar outro caminhão e nem se preocupou em olhar no retrovissor. Puta susto!

 

Enfim, a bruxa tava soltinha soltinha. E olha que outubro ainda está longe. Boa sorte pros fraturados e que a recuperação seja tranqüila para ambos.

 

Até a semana.

 

PH

 

P.S.: Outra nota triste é que, apesar de eu ter convidado, nenhum dos meus amigos velhos de guerra (Oswaldo, Lima, Cabeça, Salim) apareceu pra pedalar. O que está acontecendo com vocês seus veadinhos? O Jorjão pelo menos tem a desculpa de ainda estar doente!

 

June 30

Festa junina Extrema

Havia muito tempo que eu não me divertia tanto assim em uma festa junina. Na verdade, a última neste estilo que participei ainda morava em BH, lá no final dos anos 80, início dos 90. Nem sou tão fã assim destes festejos, mas a de sábado, que rolou lá em Extrema foi muito engraçada, com boa comida, bons amigos, enfim, diversão a toda prova.

 

Claro que, em se tratando deste blog, a festa foi o fechamento de mais uma trilha duca que fiz no sábado. Voltei a fazer Extrema-Jpólis-Extrema, só que desta vez guiando os Papatrilhas. Quando conheci esta trilha, ela era meio lenda, pois são 40 km muito bem pedalados, dos quais 90% do tempo você sobe.

 

É engraçado que até mesmo para os Papas ela era motivos de “causos” e lembranças de acidentes. Na primeira vez que eles tentaram fazê-la um rapaz (que não conheço) descendo um trecho, deu de frente com um carro subindo. Apesar da gravidade do acidente, ele voltou a pedalar e é isso que interessa, mas como era de se esperar o passeio naquele dia acabou na hora.

 

No sábado, éramos 20 e tudo transcorreu sem nenhum BO, com todos terminando o trajeto. Apenas o ritmo foi bem mais lento. Da última vez que estive lá gastei quatro horas (contando as paradas). No sábado, foram quase oito. Porém, considerando a heterogeneidade do grupo, normal.

 

Por causa da festa, algumas pessoas (eu inclusive) chegaram lá na sexta à noite e ficaram hospedadas em um hotel na Fernão Dias. Por isso, percurso total dessa vez foi de 48 km (veja o link com a altimetria aí em baixo). De qualquer maneira, definitivamente essa trilha não é para iniciantes. Mesmo que meu pedal já tenha evoluído a ponto de eu não precisar mais parar nas subidas, ainda assim é um senhor desafio.

 

Desafio superado, era hora de mais diversão: sai o capacete, entra o chapéu de palha. Muito quentão, amendoim, arroz doce, caldo de mandioca, bolo de fubá, cerveja e, claro, um churrasquinho pra dar mais “sustância”. Tudo regado a muito forró (fazer o quê né, seria muito pedir pra tocar rock and roll numa festa junina), quadrilha, casamento na roça, com noiva “grávida” e tudo, calor da fogueira e muita alegria e descontração de todos.

 

Foi realmente show de bola. Me sinto cada vez mais entrosado com os Papas e fico feliz em poder partilhar com eles esse momentos bacanas. Agora é aguardar a semana que vem. Creio que vai rolar Juquitiba, que foi adiada por causa da chuva. Com certeza, mais diversão pela frente. Até a próxima.

 

PH

 

http://www.gpsies.com/map.do?fileId=gdvnlpqgyoadjolw

June 26

Mais escurinho

Nestes dias de frio intenso nas noites paulistanas, por mais que eu já esteja sentindo falta, resolvi dar um tempo do pedal noturno. Pra não ficar em casa, fui assistir a alguns filmes que me chamaram a atenção. Meus humildes pitacos seguem abaixo. 

 

O Incrível Hulk

No mundo do cinema, seqüência é sinônimo de bomba. Na história, pouquíssimos foram os filmes que tiveram uma continuação melhor que o original. E isso tanto para os filmes bons quanto para os ruins (isso quer dizer que os ruins ficam pior ainda, claro!). O novo Hulk, na minha opinião, vai para essa pequena galeria.

 

Tecnicamente não é uma seqüência. Não começa onde o outro terminou, são atores diferentes, abordagem diferente e, principalmente, um diretor diferente. Pra ser honesto, nem achei o primeiro tão ruim assim (levando-se em conta que é um filme baseado em quadrinhos, ok?). Mas depois de ver a nova produção, a verdade explode na sua cara como uma granada: o Ang Lee, diretor de filmes com temática mais adulta, (o Segrendo de Brokeback Mountain é dele) deixou muito a desejar. Faltou ação, Ang!

 

O Hulk é um cara porrada por natureza. Existe, claro, a questão existencial que atormenta o personagem (Ser ou não ser, o mostro verde), mas ela é irrelevante para os fãs, que querem mais é ver o gigantão esmeralda esmurrando deus e todo mundo. E é aí que o segundo ganha a platéia: muita ação, socos, tiros, algumas piadas, referências àquela bizonha série de TV dos anos 80 (com direito à musiquinha e tudo) e até uma ponta do Lou Ferrigno, que “interpretava” o verdoso na telinha. Foi como folhear uma boa edição dos gibis, com a memória afetiva trabalhando a todo o vapor. Curti e quem gosta deste tipo de filme vai curtir também.

 

E pra quem não entendeu a aparição do Tony “Homem de Ferro” Stark no final, aposto uma goiaba bichada que logo logo teremos um filme com os Vingadores. Quem conhece quadrinhos sabe do que estou falando. Quem não conhece, pesquise e amplie seus conhecimentos de cultura pop.

 

O Fim dos Tempos

O Sexto Sentido foi um filme que marcou época. Boas interpretações, especialmente do então menininho bonitinho que via “dead people”, um climão de suspense como há muito não se via, e um roteiro pra lá de amarradinho. Eu, por exemplo, não saquei nada da pegadinha do final e achei muito bem feito. Assim, claro que todo mundo ficou esperando os próximos filmes do diretor Night Shyamalan.

 

Porém, acho que ele gastou tudo no primeiro. Em seus demais filmes a coisa começou a desandar feito maionese de botequim de quinta. Corpo fechado, Sinais, A Vila e A Dama da Água (este último não vi inteiro) nem de longe conseguiram de equiparar àquele. E isso aconteceu de novo em O Fim dos Tempos.

 

Na verdade, não acho que ele desaprendeu. Não conheço nenhum outro diretor atual que consegue criar um suspense tão bem. Meios primeiros planos, closes, luz e sombra, tudo funciona pra gerar aquele climão de tensão e todo mundo fica na ponta da cadeira esperando a hora de pular de susto. Imagens fortes também é uma de suas especialidades. Neste filme, a cena dos trabalhadores da obra se atirando do alto dos prédios é impressionante. Muito bem feita. O que pega então? Seus desfechos.

 

Em O Sexto Sentido, é genial. Em Sinais, já começa a chutar o balde com aquela papagaiada de ETs. Na Vila, é tosco, pois até hoje não entendi direito porque aquele bando de gente foi morar no meio do mato. E em O fim dos tempos então, bizonho, pois a tal revolta da natureza não convence ninguém. Ou seja, ele constrói muito bem a história, mas se enrola na hora de explicar as questões propostas pela trama. E os atores também não ajudaram em nada. O Mark Walbergh de marido indeciso tava com a mesma expressão do Mark Walbergh lutando contra os macacos no Planeta dos Macacos. Vá ver por sua conta e risco.

 

10.000 BC

Vi este filme já há algum tempinho, mas acabei não comentando aqui. O diretor Roland Emmerich só faz dois tipos de filme: ou cinema catástrofe, como “O Dia depois de Amanhã” e “Godzila”, ou patriotada de americano, do tipo “O Patriota” ou “Independence day” (e olha que ele é alemão!). Os de catástrofe eu até curto, pois desde pequeno me amarro nessas histórias. Agora, ver a bandeira americana tremulando depois de mais um ato de heroísmo dos yankees, dá vontade de vomitar.  

 

10.000 BC não e nem uma coisa nem outra. Acho que aquilo foi um sonho maluco que o cara teve e que resolveu transformar num filme. Só fui assistir pois gosto muito de história e achei que haveria um viés histórico, por mínimo que fosse, como aconteceu com o Apocalypto, do Mel Gibson. Não tinha. Só tinha muito efeito de primeira, tentando amparar o argumento de segunda: o da união de diferentes na luta contra um mal comum. Uma pena, pois sempre achei que os mamutes dariam excelentes personagens. 

 

PH

June 23

Pé em cima

O final de semana ciclístico foi devagar. Na verdade, toda a semana passada foi lenta. Terça tava muito frio (reflexo da frente fria que entrou e fez chover em Santos, na descida da manutenção) e afinei. Rodei na quarta, mas me arrependi, pois a temperatura voltou a cair bastante durante o pedal e cheguei em casa gelado. Na quinta, tava até mais quentinho, mas bateu uma preguiça absurda e fiquei quieto.
 
Sabadão eu pedalei, mas fiz apenas uma trilhinha leve com o Flopes. Desde que estivemos em Paraibuna, em janeiro, ele não pedalava e não podia ser nada muito pesado. Fomos pra Mairiporã, rodar com o pessoal da Tribo do Pedal Selvagem. Todo final de semana eles fazem alguma coisa e concidiu de sábado ser uma trilha light. Até que foi legal, tinha uma subidinha mais forte, que deu pra aquecer as pernas, e vários singles bacanas. O último foi bem divertido, pois era bem longo e rápido. Foi legal também, pois aproveitamos a chance para botar as fofocas em dia. Espero que realmente ele volte a pedalar com afinco e a gente possa encarar umas pirambas mais nervosas em breve.
 
No domingo eu ia guiar o Papatrilhas lá em Juquitiba, já que estive lá recentemente. Porém, no sábado à tarde/noite choveu muito e,  apesar do domingo ter amanhecido sem chuva, o pessoal acabou desistindo. Por isso, acordei mais tarde e acabei girando as pernas com os Olavos. Nada excepcional. Ou seja, esse final de semana serviu apenas para deixar um gostinho de quero mais. 
 
Tomara que o tempo melhore, pois já está marcado para fazermos Extrema-Joanópolis no final de semana que vem e não quero abortar de novo. Que venha!
 
PH
June 16

Clássicos

No país do futebol, sábados e domingos são dias de clássicos. Menos no Gancheira! Quer dizer, são dias de clássicos sim, mas dos pedais, que é bem mais legal e divertido que ficar chutando uma bola pra lá e pra cá.

 

Sabadão teve Piracaia, clássico dos clássicos. Desde abril eu não ia lá e pra variar foi duca! Eu, Oswaldão, Salim e o Lima. O Oswaldo até que tem se apresentado, mas os dois últimos estavam sumidos há dias. Como sempre, muitas subidas pesadas, muitas descidas rápidas , muitas paisagens deslumbrantes e muita, muita diversão.

 

A trilha dessa vez foi a da Bigorna, batizada assim em homenagem ao nosso showman, Jorjão, que se estatelou no chão feito uma bigorna quando a fizemos pela primeira vez. Por começar no bairro do Pião, 15 km depois da cidade, não vamos lá com muita freqüência, mas sempre que vamos gostamos muito, pois são mais ou menos 30 km, muito bem pedalados. Especialmente como foi no sábado.

 

Saímos do Pião pela estradinha de costume, descendo. Na primeira bifurcação eu e o Oswaldo, que estávamos na frente, pegamos à esquerda, o sentido correto. Só que o Lima e o Salim que estavam mais atrás não nos viram. E como são dois perdidos, não se ligaram no caminho e foram para a direita. Resultado: tivemos que voltar tudo que já havíamos descido e fomos encontrar com os manés uns 15 km à frente no sentido inverso. Aí, como já estávamos lá mesmo, resolvemos fazer ao contrário. 

 

Fazer uma trilha que você já conhece ao contrário é muito legal, pois lhe dá uma perspectiva totalmente nova. Neste caso, uma perspectiva de baixo pra cima, pois as maiores pirambas que sempre foram descidas, fizemos tudo subindo. Haja perna, esforço e concentração, pois são realmente subidas de respeito.Que o diga o Salim que, dos quatro, era o que estava com o pior preparo. Mas nada que umas empurradas básicas não resolvessem. O final de semana havia começado muito bem.

 

Domingão, outro clássico paulistano para os amantes dos pedais: a descida da estrada de manutenção da Imigrantes, até Santos. Para quem não conhece, a Imigrantes é uma das mais impressionantes obras de engenharia do país, ligando SP ao litoral sul, ela corta a Serra do Mar. São diversos túneis e viadutos gigantescos. Uma estrada de primeiríssimo mundo, com um visual de tirar o fôlego. E agora foi possível contemplá-lo de melhor forma, pois de carro, além de ser muito rápido (quando não há trânsito, naturalmente) não há como parar para admirar a paisagem.

 

De bike, tudo fica mais legal. A estrada de manutenção é um caminho asfaltado que desce/sobe paralelo à pista principal, utilizado basicamente pelos carros de serviços da concessionária que administra a estrada, pela polícia, quando necessário, e pela população local (moradores das encostas de Cubatão) em alguns trechos.

 

É tudo asfalto, mas a desafio é bacana. Além da descida em si, com curvas muito fechadas, em muitos trechos o chão tá todo coberto de limo e quedas são muito freqüentes: vacilou, chão. Quase todo mundo que já fez tem uma história de tombo feio pra contar.

 

Felizmente, em nosso caso, foram apenas quatro. Considerando que estávamos em 107 ciclistas, até que não foi tão ruim. Isso mesmo, 107 pedalantes. Na verdade, esse era um passeio do Papatrilhas, mas um fala com outro, o outro fala com mais outro, a notícia se espalha e acabou com essa quantidade de pessoas. Foi legal e não foi.

 

É bacana ver tanta gente pedalando por aí. É um sinal claro que a bicicleta cada vez mais cai nas graças das pessoas. É uma pena que nossos estúpidos governantes não atentem para isso. O problema é que com essa quantidade de pessoas, o ritmo do pedal cai muito e a possibilidade de problemas aumenta na mesma proporção. Só pneus furados foram mais de 10. Cada um gerando uma parada de todo o grupo. Mais as paradas para as fotos, as quedas, os reagrupamentos etc etc., a descida total demorou bem mais que o previsto.

 

Mas mesmo assim foi sensacional. Eu nunca tinha feito e adorei. Mesmo tendo pedalado só no asfalto por cerca de 100 km (contando da minha casa, já que fui e voltei pedalando até o ponto de encontro), e da garoa/chuva que nos recepcionou em Santos, curti pra caramba. Os visuais da estrada são de cinema, a natureza da serra é belíssima, a camaradagem dos Papatrilhas de primeira, enfim, tudo 100%. Cheguei em casa destruído, mas muito feliz por mais essa aventura ciclística pro meu currículo.

 

Vamos ver o rola semana que vem.

 

PH

June 09

Jarinu hard

Estive em Jarinu recentemente com o pessoal do Vila e foi decepcionante. Eles haviam avisado que seria leve, mas mesmo assim achei que poderia ser legal e fui. Me enganei. Tirando a chuva, que caiu o tempo todo e enlameou o terreno, não houve nenhuma dificuldade e o que salvou mesmo foi rever as pessoas e o almoço depois da trilha.
 
Sábado eles marcaram de ir pra lá de novo. Eu não ia. Porém, acordei cedo, pensei com meus botões e resolvi dar mais uma chance para o lugar. Felizmente, dessa vez tomei a decisão certa. A trilha foi muito legal. Umas das mais bacanas do ano.
 
Dessa vez não chegamos até a cidade. Paramos antes, numa barraquinha de frutas, açaí, pastel e outras bobagens. Dali, seguimos por um pedacinho de alfalto e depois começou a brincadeira. No início achei até que seria a mesma coisa: só estradinhas, sem grandes desafios. Rodamos até por um mesmo trecho que da vez passada. De repente, chegamos da entrada de uma plantação de eucaliptos e começamos percorrer um caminho mais fechado. Muitas teias de aranha, mato arranhando as pernas, troncos, raízes, valetas cobertas de mato, um single muito bacana e muito divertido. Algumas pessoas não curtiram (realmente foi o primeiro single com essas características que fiz com eles), mas eu adorei.
 
Depois do single voltamos para as estradinhas, mas aí o terreno ajudou bastante. Muitas subidas longas e pesadas (mas pedaláveis), descidas rápidas e nervosas em pisos variados, muita paisagem bacana (pena que não tem foto), mais alguns singles menos fechados, enfim, uma boa variação de terreno que tornou os 60 kms do percurso bastante seletivos. Realmente, dessa vez valeu muito a pena ter ido a Jarinu. Pretendo voltar lá mais vezes.
 
A nota triste foi o susto que o Zelito nos deu já no final. Estávamos em um sobe e desce nervoso, nos dirigindo à estrada principal, já para voltarmos aos carros. Neste trecho as descidas eram mais puxadas que as subidas e como sempre, estávamos no gás. Numa delas, o Zelito, que estava na frente, só viu uma porteira de arame farpado que estava no caminho quando já era tarde demais e não teve jeito de segurar. Resultado: dois dentes quebrados, uma pancada na mão, vários arranhões nas pernas, um farol e uma bolsa de selim destruídos na pancada. E claro: a própria cerca arrebentada.
 
Ninguém gosta de tomar um chão. Matar um cerca de arame farpado no peito, a mais de 20 km/h, muito menos. Como já disse aqui, MTB é perigoso. É um risco calculado, mas o perigo sempre existe e todos estamos sujeitos a uma dessas. Felizmente, ele é forte como um touro. Voltei dirigindo o carro dele (na verdade eu fui com ele, de carona), e o deixei no hospital para tirar umas radiografias e tomar uma anti-tetênica, e no domingo de manhã ele já estava pedalando novamente. Vai ficar uns tempos sem beijar a namorada, mas pensando na piramba, na velocidade e na pancada que ele levou, poderia ter sido bem pior.
 
Força aí Zelitão. Vamos ver que rola na semana que vem. 
 
PH  
 
 
May 30

Visões do escurinho

Enquanto não chegam as fotos da cicloviagem, lá vão mais algumas das minhas elocubrações cinematográficas. Como já disse, recomendo que cada uma assista aos filmes e tire suas próprias conclusões.

 

Já deu o que tinha que dar

Está tudo lá: a musiquinha, o chapéu, a jaqueta de couro surrada, as fugas espetaculares (se bem que a da geladeira foi forçada até para os padrões spielberguianos), as quedas impossíveis, o climão de matinê dos anos 40, os templos se desmoronando, os enigmas que ninguém mais consegue decifrar, as cidades perdidas, a ironia, o deboche, enfim, o time se reuniu mais uma vez mas, infelizmente, o resultado do jogo deixou a desejar.

 

Isso mesmo, fãs inverterados, o novo Indiana Jones que tá rolando nos cinemas não agradou. Não sei muito bem porque. Esperava mais montanha russa, mais sobressaltos, pulos na cadeira, mais Spielberg enfim, mas a única coisa que o filme tem aos montes são rugas. Parece uma fuga em massa da ala de geriatria. Aliás, o próprio argumento do filme é construído em cima disso: da velhice implacável, que chega para todo mundo.

 

Taí, de repente, para aqueles que como eu acompanharam a saga desde o início, o inconsciente trabalhou na surdina e nos fez encarar o fato que também estamos envelhecendo. Lá se vão os anos em que achávamos que tudo se resolveria num simples estalar de chicote.

 

Tecnicamente não há o que criticar. O filme funciona, claro! Também é um Spielberg, produzido por Lucas. Mas certas cenas são absolutamente descartáveis. A da citada geladeira (vai assitir que você entenderá), a da areia movediça, a dos índios na chegada do templo, mera celulóide gasta que não contribuiu em nada para o desenvolvimento da história.

 

E sim, alguns trechos são divertidos e até engraçados. Mas, a sensação de que fizeram esse apenas para arrecadar uns trocados a mais, paira como uma nuvem de abutres sobre as duas horas de projeção. Desculpe fãs, mas o velho Indy tem que trocar, com urgência, seu chicotinho por uma cadeira de balanço no asilo mais próximo.

 

Pneu furado

Outro filme bastante aguardado e que decepcionou foi Speed Racer. Quando criança adorava me imaginar dono de um carro cheio de traquitanas e ainda por cima ter um irmão mais velho secreto. Uau! Pra um moleque (da minha geração, claro) era o máximo.

 

Mas o filme falhou. Na verdade não é um filme. É uma videogame com crise de identidade. A trama, as cenas de luta, as seqüências de corrida, as de estádio (aquelas que no desenho mostravam milhares de pessoas de boca aberta nas arquibancadas), estão bem próximas àquelas dos desenhos. Mas a enorme cacofonia visual prejudicou o desenvolvimento da história. Até mesmo algumas legendas se perdem no meio da profusão de cores berrantes.

 

Os atores até que se esforçam, mas poderiam ter escolhido um carinha mais espirituoso para o papel principal. O moleque tem a maior cara de coitado. Parece que está o tempo todo arrependido de alguma coisa. O molequinho que faz o papel do Speed na infância é muito melhor. Por falar em melhor, salve o Gorducho! É o melhor disparado entres os humanos do filme.  

 

E vamos combinar: os desenhos duravam 30 minutos, com intervalo. Duas horas de uma trama com a profundidade de uma moeda é dose pra elefante. Uma hora e vinte tava de muitíssimo bom tamanho.

 

Pena. Teria sido mais proveitoso fazer um longa de animação usando a tecnologia atual. Alô alô irmãos Wachowski, essa história de misturar humanos com computação gráfica já foi melhor aproveitada, hein!?

 

Ah, e se você procurar muito, mas muito mesmo, conseguirá ver por quase dois segundos inteiros, o carro patrocinado pela Petrobras. É muito bom ver o dinheiro de nossos impostos sendo tão bem investido assim.

 

PH

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